Amarante é o único município da bacia hidrográfica do Tâmega que contesta a construção de uma barragem no seu território e consequentemente não aplaudiu o plano nacional de barragens apresentado pelo Governo. Câmara e Assembleia Municipal já aprovaram moções que contestam o plano do Governo de construir a barragem de Fridão, sobretudo por saber-se que a construção daquele equipamento implica a alteração da cota de exploração da barragem do Torrão, no troço final do rio Tâmega e a juzante da cidade de Amarante.
A luta travada por Amarante desde 1988 (ano em que o Torrão iniciou a produção de energia) contra a exploração da barragem à cota 65 – que teria como consequência a inundação das margens do rio e outras zonas ribeirinhas, bem como a Ínsula [Ínsua] dos Frades, pequena ilhota entre as duas pontes da cidade – voltou à ordem do dia e é isso que os dois órgãos autárquicos de Amarante e com toda a certeza a esmagadora maioria da sua população não podem desejar.
Armindo Abreu: Oposição pouco consistente
O presidente da câmara de Amarante, Armindo Abreu, aquando do anúncio do plano do governo, manifestou a sua intenção de lutar contra a barragem. Armindo Abreu referiu, então, que se opunha "frontalmente ao projecto do Governo" e recordou que os órgãos autárquicos – Câmara e Assembleia Municipal – sempre se opuseram ao empreendimento. "Não queremos a barragem", dizia, peremptório, o autarca socialista, confrontado com o interesse do governo em avançar com diversos empreendimentos hidroeléctricos, nomeadamente os cinco anunciados para a bacia do Tâmega.

[Uma antevisão de Amarante no pós-barragens; imagem recolhida na cheia de 2001, a uma cota próxima de 65, o valor do projecto da albufeira do Torrão]
Em declarações ao Marão Online, o autarca considerou no início do processo "que uma albufeira, com águas paradas, só viria desequilibrar o ambiente na cidade, além de destruir o património paisagístico de Amarante", lembrando ainda a consequente degradação da água, por ficar estagnada, sem corrente, e até o perigo de a cidade ficar com um enorme depósito de água, a escassos 12 quilómetros a montante - uma imprecisão do presidente, pois a barragem fica a apenas 6 quilómetros.
Recorde-se que o armazenamento total de água em Fridão – cerca de 200 mil milhões de metros cúbicos de água, segundo os estudos preliminares do empreendimento – é mais do dobro do que armazena actualmente a barragem do Torrão.
Posteriormente, em declarações às rádios Renascença e TSF, Armindo Abreu reafirmou que Amarante não quer a barragem e que tudo fará para lutar contra o projecto.
A Assembleia Municipal, com todos os partidos de acordo, à excepção de um deputado do movimento de apoio a Ferreira Torres, também aprovou uma moção contra a construção da barragem.
Entretanto, o autarca disse recentemente ao Marão Online que já expôs a situação a vários deputados socialistas e também ao ex-presidente da câmara de Amarante, Francisco Assis, dando-lhes conta que se os governantes socialistas decidirem avançar com o projecto vão ter pela frente a oposição de uma população inteira e porventura da região do Baixo Tâmega.
Armindo Abreu não descartou também a hipótese de envolver o Presidente da República nesta luta contra a barragem, se o Governo insistisse na sua construção.
Entretanto, recorde-se que o plano nacional de barragens passou por uma fase de estudo do Impacte Ambiental, sendo que relativamente à bacia do Tâmega, o parecer é negativo, sobretudo pelo facto do rio correr sobre uma fractura sísmica muito sensível. Há ainda outros dados técnicos demasiado assustadores. Atendendo à distância da edificação a barragem com mais de 110 metros de altura (a 6 Km de Amarante), em caso de acidente, uma onda de cheia mais alta do que a Igreja de S. Gonçalo, demoraria apenas 5 minutos a chegar ao Arquinho. Soube-se também que o plano para a barragem de Fridão implica o desvio do caudal das Fisgas de Ermelo, isto é, deixa de haver as Fisgas e deixa de haver o rio Olo.
- Se não conhece a beleza do rio Olo, visite o seguinte endereço:
www.aquariofilia.net/forum/lofiversion/index.php/t43152.html
- Os amantes de canoagem não podem ficar indiferentes:
canoagem.users42.donhost.co.uk/videosonline/tamega.wmv
Outras barragens no Tâmega recebem aplausos
Os dois municípios de Basto localizados na área da eventual albufeira da barragem de Fridão não se pronunciaram ainda sobre o plano do Governo, e parece que não colocam objecções.
De facto, quer Celorico de Basto quer Mondim de Basto não devem sofrer impactes negativos de monta – além das graves consequências ambientais, nomeadamente devido à alteração do clima gerada pela enorme massa de água a criar pela albufeira – uma vez que o rio Tâmega não atravessa aglomerados urbanos importantes e até passa bastante desviado das sedes dos dois concelhos.
Bem diferente é a posição das comunidades situadas no troço inicial do rio, em território nacional, uma vez que o Tâmega nasce em Espanha, perto de Ourense.
Os autarcas e empresários do Alto Tâmega já aplaudiram a construção de barragens nos seus territórios, nomeadamente acerca dos empreendimentos de Vidago e Padrozelos.
considerandoas como "mais valias".
Fica a dúvida se estes autarcas sabem o que é desenvolvimento sustentável, se estão conscientes da factura que as próximas gerações irão pagar, se a troco de muitas promessas e alguns trocados valerá a pena hipotecar o futuro dos seus concelhos. Talvez pudessem esclarecer-se se estudassem o que aconteceu noutros projectos, noutros negócios semelhantes.
"Desastre ambiental",
alertam os especialistas
Entretanto, vários especialistas da área do ambiente já vieram a público alertar para o facto da cidade de Amarante correr o sério risco de sofrer um desastre ambiental, devido à elevada poluição do rio Tâmega, se a barragem de Fridão for transformada em aproveitamento reversível e ficar emparedada entre dois açudes e duas barragens.
Segundo Rui Cortes, professor da UTAD que tem colaborado em estudos de impacte ambiental de diversas barragens, nomeadamente Alqueva, Sabor e Foz Tua, afirma que o Tâmega é porventura o curso de água, dos rios internacionais, que apresenta maior grau de poluição, devido à eutrofização (formação de algas tóxicas).
Rui Cortes alegou ainda que se for construído um contra-embalse – açude a juzante da barragem para permitir a recolocação da água na albufeira principal durante a noite, aproveitando a energia das eólicas – a qualidade da água colocada no curso de água (caudal ecológico) será ainda de pior qualidade. Em vez de um rio, Amarante passará a ter um pântano de água choca e sem vida.
Blogue a pesquisar: http://poramarantesembarragens.blogspot.com
A maior queda de água de Portugal - as Fisgas de Ermelo - localizada no Parque Natural do Alvão (PNA), poderá ser "seriamente afectada" com a construção da barragem de Gouvães. Este alerta foi feito nesta Quarta Feira à agência Lusa por Rui Cortes, professor na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) e especialista na área do ambiente.
Para Rui Cortes a construção de quatro barragens na bacia hidrográfica do Tâmega e de três derivações de cursos de água vão "alterar completamente" a área envolvente e mesmo o próprio PNA.
Segundo explicou à Lusa o especialista, a barragem de Gouvães, a construir no rio Torno, vai derivar água de dois afluentes, o Olo - na zona a montante das Fisgas - e Alvadia.
"Ou seja, o caudal que actualmente alimenta as fisgas será reduzido ao mínimo, afectando seriamente esta queda de água, que desaparecerá nos moldes em que a conhecemos actualmente, e o próprio PNA", sublinhou Rui Cortes.
Além da derivação do Olo, um canal com 7,8 quilómetros, a albufeira de Gouvães será ainda alimentada pela derivação de mais dois rios, o Alvadia (canal de 4,4 quilómetros) e o Viduedo (3 quilómetros).
Rui Cortes diz que não está a por em causa a construção da barragem, mas sim a derivação de água do Olo.
"A barragem não está em causa se não for concretizada esta derivação a partir do Olo", disse Rui Cortes que espera que esta situação seja resolvida em sede do Estudo de Impacte Ambiental.
O professor da UTAD diz ainda que a construção de quatro barragens vai transformar o rio Tâmega "praticamente numa grande albufeira" com cerca de 150 quilómetros, desde a fronteira até Amarante
(11 Setembro de 2008)

A
eutrofização é o fenómeno causado pelo excesso de nutrientes (compostos químicos ricos em fósforo ou nitrogénio, normalmente causado pela descarga de efluentes agrícolas, urbanos ou industriais) num corpo de água mais ou menos fechado, o que leva à proliferação excessiva de algas, que, ao entrarem em decomposição, levam ao aumento do número de microorganismos e à consequente deterioração da qualidade do corpo de água.
As principais fontes de eutrofização são as actividades humanas industriais, domésticas e agrícolas – por exemplo, os fertilizantes usados nas plantações podem escoar superficialmente ou dissolver-se e infiltrarem-se nas águas subterrâneas e serem arrastados até aos corpos de água mencionados. Ao aumento rápido de algas relacionado com a acumulação de nutrientes derivados do azoto (nitratos), do fósforo (fosfatos), do enxofre (sulfatos), mas também de potássio, cálcio e magnésio, dá-se o nome de "florescimento" ou "bloom" – dando uma coloração azul-esverdeada, vermelha ou acastanhada à água, consoante as espécies de algas favorecidas pela situação.
Estas substâncias são os principais nutrientes do fitoplâncton (as "algas" microscópicas que vivem na água), que se pode reproduzir em grandes quantidades, tornando a água esverdeada ou acastanhada. Quando estas algas – e o zooplâncton que delas se alimenta - começam a morrer, a sua decomposição pode tornar aquela massa de água pobre em oxigénio, provocando a morte de peixes e outros animais e a formação de gases tóxicos ou de cheiro desagradável. Além disso, algumas espécies de algas produzem toxinas que contaminam as fontes de água potável. Em suma, muitos efeitos ecológicos podem surgir da eutrofização, mas os três principais impactos ecológicos são: perda de biodiversidade, alterações na composição das espécies (invasão de outras espécies) e efeitos tóxicos…
(Wikipédia)
O fenómeno da eutrofização é já bem conhecido dos amarantinos mais atentos, ou que, de há uns anos a esta parte, mais de perto contactam, particularmente nos meses mais quentes de Verão, com as águas da albufeira da barragem do Torrão.
O aspecto esverdeado, dada a grande concentração de micro algas, já por diversas vezes encostou ao açude dos Morleiros e chegou mesmo a galgá-lo, em anos mais quentes e menos chuvosos.
O excesso de nutrientes associado à subida da temperatura das águas paradas, especialmente em locais de águas pouco profundas origina esse fenómeno do aparecimento das algas verdes e de
cianobactérias (algas azuis) com efeitos nocivos para a saúde humana.
A construção das barragens e açudes, previstas no PNBEPH para montante e jusante de Amarante, provocará uma acentuada deterioração da qualidade da água do rio Tâmega e trará para dentro da cidade o aspecto que hoje já se pode ver na albufeira do Torrão e que as
imagens retiradas do “Virtual Earth” tão bem documentam.


Imagens da albufeira da barragem do Torrão às portas de Amarante.
No site da Amarante TV, há registos vídeo com Hugo Silva, deputado da Assembleia Municipal de Amarante, onde este reputado cidadão amarantino explica o que está em causa com a construção da barragem de Fridão, e há vídeos relativos ao debate público ocorrido no salão nobre da C. M. Amarante, com as intervenções do coronel Artur Freitas e do arquitecto Hugo Silva. Há ainda um registo vídeo relativo à palestra sobre a construção da barragem de Fridão, realizada em Abril de 2008, que teve como oradores o prof. Rui Cortes, a engenheira Berta Estevinha e o prof. Helder Leite.
Depois de entrar na página da Amarante TV, procure, na coluna do lado esquerdo, os vídeos clicando nos slides correspondentes. amarante.tv/index_in.html
Se é contra a construção da barragem de Fridão, divulgue este blogue junto dos seus amigos e familiares. O povo é quem mais ordena!