Sábado, 29 de Março de 2008

Um grito em silêncio

“Todos temos algo pelo que gritar” e como é triste saber que o medroso silêncio continua a abafar os gritos de dor e de revolta, de quem não tem sindicatos que lhe valham para enfrentar a tirania dos patrões.
Sim, têm MEDO, medo dos chefes, medo de assumirem a capacidade de pensar ou de agir. Têm medo porque essa brilhante capacidade humana, para muitos trabalhadores, como o meu pai, não passa de um motivo para que se abram as portas da rua. Vejo nos seus olhos a angústia, a revolta. E dou por mim indignada com este desequilíbrio entre portugueses. De um lado, deparo com constantes manifestações dos funcionários públicos, onde é gasto um montante considerável (por exemplo, nos milhentos cartazes) e, como exemplo actual, temos aqueles que sugeriam o despedimento da ministra da educação, aos quais, a senhora, muito tranquila, apelidou de “solução fácil”. Bem hajam os que não têm medo de agir! Do outro lado, temos os “portugueses de segunda” que, desgraçados, se abrem a boca para reivindicar algum direito é-lhes logo apresentada a carta de alforria, não vão eles contagiar os restantes a “romper barreiras sociais e a cortar as amarras”. Digo carta de alforria, pois são escravos do silêncio, do direito de ouvir e do dever de calar.
Exprimo-me com base no que acontece ao meu pai, um simples e humilde operário, licenciado no silêncio, mestrado na dureza e doutorado na amargura.
Querem justiça? Querem igualdade? Pois estas revoltas a mim fazem-me lembrar as revoltas liberais que zelam pelos direitos e privilégios de uma ordem social apenas e não de todas. Quando não se tem, não se perde. E é por terem que protestam tanto. Custa descer não custa? É duro perder não é? E não ter sequer a possibilidade de ganhar? É repugnante! Gostava eu de ver os portugueses unidos, sim, unidos no sentido genuíno da palavra, gritando “Igualdade, liberdade, fraternidade”, mas que não ficassem depois sentados à espera que os OUTROS o fizessem por eles.

 

Ovelha Perdida

publicado por negra às 19:45
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Os inúteis mais bem pagos: retratos

Um dia de… professor
 
Deitar tarde e cedo erguer. Mais uma manhã, mais uma batalha. Será que nas horas em que deixou vencer-se pelo sono perdeu mais algum direito ou lhe exigiram mais algum documento inesperado, mais um de muitos decretos ou lhe atribuíram mais alguma descontextualizada tarefa?
Será? Para já, parece que não! Afinal, não passou assim tanto tempo. Esteve até de madrugada a tentar corrigir testes de oito turmas, com uma média de 25 alunos cada. Corrige o do Pedro, o do Zeca, o da Joana… Volta atrás… Vê de novo a resposta do Pedro… Esta está mais completa, mas aquela melhor estruturada… Ao fim de quatro horas, primeira turma, primeira correcção acabada. Agora há que comparar melhor as respostas. Não queremos que haja injustiças nas notas atribuídas! Ufa! Acabou uma turma! São duas da manhã. Já só dá para rever as aulas para amanhã… Sete e meia da manhã, sai a correr para a escola. Depois de pouco menos de uma hora de viagem, acabadinho de chegar, cafezinho e aula. Intervalo, 20 minutos: vai resolver um problema de uma falta de um aluno, não esquecer de deixar a ficha na reprografia com 48 horas de antecedência. Uma vez que, após terceira carta endereçada aos pais, estes continuam sem dar sinal, toca a telefonar: “Estou, D. Maria, sou o director de turma do Ricardo e queria marcar uma reunião consigo para conversarmos sobre o mau comportamento do Ricardo e a sua vontade de deixar a escola…”. “Ligou-me para isso? Não posso, não tenho tempo, com licença, tenho de ir. Não volte a importunar-me com isso. Os professores é que não sabem controlá-los”. “Trirriiiiiimmm”. Aula! Não devemos deixar os alunos à espera, por isso, toca a ir para a sala. Pousa a pasta, tira o material… Chegam os primeiros alunos… Escreve o sumário no quadro… Mais um aluno que entra… Chamada… Os alunos vão conversando… O professor apresenta a matéria aos alunos.. “Que seca!!!”, “Não me apetece.”, “Não tenho de o aturar”, “O meu pai dá-lhe negativa se der trabalho para casa”, “Se me castiga, telefono ao meu pai e ele vem dar-lhe uma coça!!!”…
O professor, ciente da sua missão, vai retorquindo: “Vamos lá, turma. Esta matéria é muito interessante, silêncio, por favor”. Mais um aluno que entra de rompante, atira a porta para trás com violência, atravessa a sala e vai sentar-se numa das cadeiras do fundo. O professor pergunta-lhe pelas boas maneiras, mas o aluno… “Quero lá saber, vá bugiar!”. O professor atribui-lhe um castigo (trabalho sobre a matéria) e marca-lhe falta disciplinar por desrespeito. “Marcou-me falta? Então, vou-me embora”. Entretanto…
Trrriiiimmm
O tempo já acabou. Entre chamadas de atenção e as várias tentativas de começar a aula, esta já acabou e os alunos já desapareceram, apenas num abrir e fechar de braços do professor! Durante a aula prevalecem a falta de interesse dos alunos, os insultos ao professor e aos colegas, quezílias entre alunos; tudo se passa como se estivessem no recreio.
 Eric Sèvegrand, publicado no  JN
 
Querem mais?
 
Faço projectos, planos, planificações; sou membro de assembleias, conselhos, reuniões; escrevo actas, relatórios e relações; faço inventários, requerimentos e requisições; faço contactos e comunicações; consulto ordens de serviço, circulares, normativas e legislações; preencho impressos, grelhas, fichas e observações; faço cópias de tudo, dossiês, arquivos e encadernações; participo em actividades, eventos, festividades e acções; faço balanços, balancetes e tiro conclusões; apresento, relato, critico e envolvo-me em auto-avaliações; defino estratégias, critérios, objectivos e consecuções; leio, corrijo, aprovo, releio múltiplas redacções; informo-me, investigo, estudo, frequento formações; redijo ordens, participações e autorizações; lavro actas, escrevo, participo em reuniões; e mais actas, planos, projectos e avaliações; e reuniões e reuniões e mais reuniões!...E depois ouço alunos, pais, coordenadores, directores, inspectores, observadores, secretários de estado, a ministra e, como se não bastasse, outros professores e a ministra! Elaboro, verifico, analiso, avalio, aprovo; assino; averiguo, estudo, consulto, concluo, coisas curriculares, disciplinares, departamentais, educativas, pedagógicas, comportamentais, e ainda querem mais?
Que eu dê aulas?!!!...
Domingos Faria, publicado no JN
 
Tá porreiro, pá!
 
O que é, afinal, um excelente professor?
Agora começa a vir à tona o real propósito da medida que se propunha “premiar o mérito”. Depois de muita demagogia e pressão que estalaram num protesto massivo, a “flexibilidade” dos nossos governantes demonstra agora a finalidade da política: qualquer coisa serve, as escolas que decidam. Tem é de existir X% de excelentes e de muito bons por cada escola. Entendam-se, chateiem-se mas avaliem-se uns aos outros. A gente quer é uns números. Já com umas cotas definidas, claro. Afinal não importa descobrir, em conjunto com os profissionais, os problemas, os paradigmas errados do nosso ensino. Ficam adiados os diagnósticos e as reformas estruturais. As necessidades de formação do corpo docente? Eles que as paguem. A “autonomia” vem colada a burocracia crescente que desconfia de tudo o que não está numa grelha. Afinal, o que importa é dizer que se fez qualquer coisa e que há uns gráficos para mostrar nos telejornais e nas eleições. Governar é criar decretos e despachos. É criar cursos sem formar professores para as novas especificidades. É mandar as escolas mandar tomar conta dos meninos até às dezassete horas e pagar uma miséria aos que lá seguram uma bandeira das «reformas espectaculares». Na “second life” em que os políticos privatizados que detestam funcionários públicos jogam, os números são fantásticos e, para eles, “tá porreiro, pá!”.
Pedro Quintas, publicado no JN
publicado por negra às 23:20
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Pôr os professores de joelhos, num pelourinho

No que à governação do país diz respeito, sobretudo em áreas sensíveis como a educação, é cada vez mais importante ouvir vozes dissidentes. Lentamente, muito lentamente... começam a aparecer, mesmo que a medo. Finalmente, o PS está a acordar da letargia. Ana Benavente, Professora universitária, militante do PS, é uma dessas vozes que importa escutar.

1.

Não sou certamente a única socialista descontente com os tempos que vivemos e com o actual governo. Não pertenço a qualquer estrutura nacional e, na secção em que estou inscrita, não reconheço competência à sua presidência para aí debater, discutir, reflectir, apresentar propostas. Seria um mero ritual.

Em política não há divórcios. Há afastamentos. Não me revejo neste partido calado e reverente que não tem, segundo os jornais, uma única pergunta a fazer ao secretário-geral na última comissão política. Uma parte dos seus actuais dirigentes são tão socialistas como qualquer neoliberal; outra parte outrora ocupada com o debate político e com a acção, ficou esmagada por mais de um milhão de votos nas últimas presidenciais e, sem saber que fazer com tal abundância, continuou na sua individualidade privilegiada. Outra parte, enfim, recebendo mais ou menos migalhas do poder, sente que ganhou uma maioria absoluta e considera, portanto, que só tem que ouvir os cidadãos (perdão, os eleitores ou os consumidores, como queiram) no final do mandato.

Umas raríssimas vozes (raras, mesmo) vão ocasionando críticas ocasionais.

2.

Para resolver o défice das contas públicas teria sido necessário adoptar as políticas económicas e sociais e a atitude governativa fechada e arrogante que temos vivido? Teria sido necessário pôr os professores de joelhos num pelourinho? Impor um estatuto baseado apenas nos últimos sete anos de carreira? Foi o que aconteceu com os "titulares" e "não titulares", uma nova casta que ainda não tinha sido inventada até hoje. E premiar "o melhor" professor ou professora? Não é verdade que "ninguém é professor sozinho" e que são necessárias equipas de docentes coesas e competentes, com metas claras, com estratégias bem definidas para alcançar o sucesso (a saber, a aprendizagem efectiva dos alunos)?

Teria sido necessário aumentar as diferenças entre ricos e pobres?

Criar mais desemprego? Enviar a GNR contra grevistas no seu direito constitucional? Penalizar as pequenas reformas com impostos? Criar tanto desacerto na justiça? Confirmar aqueles velhos mitos de que "quem paga é sempre o mais pequeno"? Continuar a ser preciso "apanhar" uma consulta e, não, "marcar" uma consulta? Ouvir o senhor ministro das Finanças (os exemplos são tantos que é difícil escolher um, de um homem reservado, aliás) afirmar que "nós não entramos nesses jogos", sendo os tais "jogos" as negociações salariais e de condições de trabalho entre Governo e sindicatos.

Um "jogo"? Pensava eu que era um mecanismo de regulação que fazia parte dos regimes democráticos.

3.

Na sua presidência europeia (são seis meses, não se esqueça), o senhor primeiro-ministro mostra-se eufórico e diz que somos um país feliz. Será? Será que vivemos a Europa como um assunto para especialistas europeus ou como uma questão que nos diz respeito a todos? Que sabemos nós desta presidência? Que se fazem muitas reuniões, conferências e declarações, cujos vagos conteúdos escapam ao comum dos mortais. O que é afinal o Tratado de Lisboa? Como se estrutura o poder na Europa? Quais os centros de decisão? Que novas cidadanias? Porque nos continuamos a afastar dos recém-chegados e dos antigos membros da Europa? Porque ocupamos sempre (nas estatísticas de salários, de poder de compra, na qualidade das prestações dos serviços públicos, no pessimismo quanto ao futuro, etc., etc.) os piores lugares?

Porque temos tantos milhares de portugueses a viver no limiar da pobreza? Que bom seria se o senhor primeiro-ministro pudesse explicar, com palavras simples, a importância do Tratado de Lisboa para o bem-estar individual e colectivo dos cidadãos portugueses, económica, social e civicamente.

4.

Quando os debates da Assembleia da República são traduzidos em termos futebolísticos, fico muito preocupada. A propósito do Orçamento do Estado para 2008, ouviu-se: "Quem ganha? Quem perde? que espectáculo!". "No primeiro debate perdi", dizia o actual líder do grupo parlamentar do PSD "mas no segundo ganhei" (mais ou menos assim). "Devolvam os bilhetes...", acrescentava outro líder, este de esquerda. E o país, onde fica? Que informação asseguram os deputados aos seus eleitores? De todos os partidos, aliás. Obrigada à TV Parlamento; só é pena ser tão maçadora.

Órgão cujo presidente é eleito na Assembleia, o Conselho Nacional de Educação festeja 20 anos de existência. Criado como um órgão de participação crítica quanto às políticas educativas, os seus pareceres têm-se tornado cada vez mais raros. Para mim, que trabalho em educação, parece-me cada vez mais o palácio da bela adormecida (a bela é a participação democrática, claro). E que dizer do orçamento para a cultura, que se torna ainda menos relevante? É assim que se investe "nas pessoas" ou o PS já não considera que "as pessoas estão primeiro"?

5.

Sinto-me num país tristonho e cabisbaixo, com o PS a substituir as políticas eventuais do PSD (que não sabe, por isso, para que lado se virar). Quanto mais circo, menos pão. Diante dos espectáculos oficiais bem orquestrados que a TV mostra, dos anúncios de um bem-estar sem fim que um dia virá (quanto sebastianismo!), apetece-me muitas vezes dizer: "Aqui há palhaços". E os palhaços somos nós. As únicas críticas sistemáticas às agressões quotidianas à liberdade de expressão são as do Gato Fedorento. Já agora, ficava tão bem a um governo do PS acabar com os abusos da EDP, empresa pública, que manda o "homem do alicate" cortar a luz se o cidadão se atrasa uns dias no seu pagamento, consumidor regular e cumpridor... Quando há avarias, nós

cortamos-lhes o quê? Somos cidadãos castigados!

O país cansa!

Os partidos são necessários à democracia mas temos que ser mais exigentes.

Movimentos cívicos...procuram-se (já há alguns, são precisos mais). As anedotas e brincadeiras com o "olhe que agora é perigoso criticar o primeiro-ministro" não me fazem rir. Pela liberdade muitos deram a vida. Pela liberdade muitos demos o nosso trabalho, a nossa vontade, o nosso entusiasmo. Com certeza somos muitos os que não gostamos de brincar com coisas tão sérias, sobretudo com um governo do Partido Socialista!

Ana Benavente, Professora universitária, militante do PS

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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

"nem sempre uma sã e bela árvore dá são e belo fruto"


"É do conhecimento público que o senhor Miguel de Sousa Tavares considerou “os professores os inúteis mais bem pagos deste país.” Espantar-me-ia uma afirmação tão generalista e imoral, não conhecesse já outras afirmações que não diferem muito desta, quer na forma, quer na índole. Não lhe parece que há inúteis, que fazem coisas inúteis e escrevem coisas inúteis, que são pagos a peso de ouro? Não lhe parece que deveria ter dirigido as suas aberrações a gente que, neste deprimente país, tem mais do que uma sinecura e assim enche os bolsos? Não será esse o seu caso? O que escreveu é um atentado à cultura portuguesa, à educação e aos seus intervenientes, alunos e professores. Alunos e professores de ontem e de hoje, porque eu já fui aluna, logo de “inúteis”, como o senhor também terá sido. Ou pensa hoje de forma diferente para estar de acordo com o sistema?
O senhor tem filhos? – a minha ignorância a este respeito deve-se ao facto de não ser muito dada a ler revistas cor-de-rosa. Se os tem, e se estudam, teve, por acaso, a frontalidade de encarar os seus professores e dizer-lhes que “são os inúteis mais bem pagos do país.”? Não me parece… Estudam os seus filhos em escolas públicas ou privadas? É que a coisa muda de figura! Há escolas privadas onde se pagam substancialmente as notas dos alunos, que os professores “inúteis” são obrigados a atribuir. A alarvidade que escreveu, além de ser insultuosa, revela muita ignorância em relação à educação e ao ensino. E, quem é ignorante, não deve julgar sem conhecimento de causa. Sei que é escritor, porém nunca li qualquer livro seu, por isso não emito julgamentos sobre aquilo que desconheço. Entende ou quer que a professora explique de novo?
Sou professora de Português com imenso prazer. Oxalá nunca nenhuma das suas obras venha a integrar os programas da disciplina, pois acredito que nenhum dos “inúteis” a que se referiu a leccionasse com prazer. Com prazer e paixão tenho leccionado, ao longo dos meus vinte e sete anos de serviço, a obra de sua mãe, Sophia de Mello Breyner Andresen, que reverencio. O senhor é a prova inequívoca que nem sempre uma sã e bela árvore dá são e belo fruto. Tenho dificuldade em interiorizar que tenha sido ela quem o ensinou a escrever. A sua ilustre mãe era uma humanista convicta. Que pena não ter interiorizado essa lição! A lição do humanismo que não julga sem provas! Já visitou, por acaso, alguma escola pública? Já se deu ao trabalho de ler, com atenção, o documento sobre a avaliação dos professores? Não, claro que não. É mais cómodo fazer afirmações bombásticas, que agitem, no mau sentido, a opinião pública, para assim se auto-publicitar.
Sei que, num jornal desportivo, escreve, de vez em quando, umas crónicas e que defende muito bem o seu clube. Alguma vez lhe ocorreu, quando o seu clube perde, com clubes da terceira divisão, escrever que “os jogadores de futebol são os inúteis mais bem pagos do país.”? Alguma vez lhe ocorreu escrever que há dirigentes desportivos que “são os inúteis” mais protegidos do país? Presumo que não, e não tenho qualquer dúvida de que deve entender mais de futebol do que de Educação. Alguma vez lhe ocorreu escrever que os advogados “são os inúteis mais bem pagos do país”? Ou os políticos? Não, acredito que não, embora também não tenha dúvidas de que deve estar mais familiarizado com essas áreas. Não tenho nada contra os jogadores de futebol, nada contra os dirigentes desportivos, nada contra os advogados. Porque não são eles que me impedem de exercer, com dignidade, a minha profissão. Tenho sim contra os políticos arrogantes, prepotentes, desumanos e inúteis, que querem fazer da educação o caixote do( falso) sucesso para posterior envio para a Europa e para o mundo. Tenho contra pseudo-jornalistas, como o senhor, que são, juntamente com os políticos, “os inúteis mais bem pagos do país”, que se arvoram em salvadores da pátria, quando o que lhes interessa é o seu próprio umbigo.
Assim sendo, sr. Miguel de Sousa Tavares, informe-se, que a informaçãozinha é bem necessária antes de “escrevinhar” alarvices sobre quem dá a este país, além de grandes lições nas aulas, a alunos que são a razão de ser do professor, lições de democracia ao país. Mas o senhor não entende! Para si, democracia deve ser estar do lado de quem convém.
Por isso, não posso deixar de lhe transmitir uma mensagem com que termina um texto da sua sábia mãe: “Perdoai-lhes, Senhor / Porque eles sabem o que fazem.”"

Ana Maria Gomes, profª na Escola Secundária de Barcelos
publicado por negra às 16:16
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Filho de Sophia?!!

No número 1784 do Jornal Expresso, publicado no passado dia 6 de Janeiro, o colunista Miguel Sousa Tavares desferiu um violentíssimo ataque contra os professores (que não queriam fazer horas de substituição), assim como contra os médicos (que passavam atestados falsos) e contra os juízes (que, na relação laboral, pendiam para os mais fracos e até tinham condenado o Ministério da Educação a pagar horas extraordinárias pelas aulas de substituição). Em qualquer país civilizado, quem é atacado tem o direito de se defender. De modo que a professora Dalila Cabrita Mateus, sentindo-se atingida, enviou ao Director do Expresso, uma carta aberta ao jornalista Miguel Sousa Tavares. Contudo, como é timbre dum jornal de referência que aprecia o contraditório, de modo a poder esclarecer devidamente os seus leitores, o Expresso não publicou a carta enviada. Aqui vai, pois, a tal Carta Aberta, que circula pela Net. Para que seja divulgada mais amplamente, pois, felizmente, ainda existe em Portugal liberdade de expressão.





Carta duma professora


«Não é a primeira vez que tenho a oportunidade de ler textos escritos pelo jornalista Miguel Sousa Tavares. Anoto que escreve sobre tudo e mais alguma coisa, mesmo quando depois se verifica que conhece mal os problemas que aborda. É o caso, por exemplo, dos temas relacionados com a educação, com as escolas e com os professores. E pensava eu que o código deontológico dos jornalistas obrigava a realizar um trabalho prévio de pesquisa, a ouvir as partes envolvidas, para depois escrever sobre a temática de forma séria e isenta.


O senhor jornalista e a ministra que defende não devem saber o que é ter uma turma de 28 a 30 alunos, estando atenta aos que conversam com os colegas, aos que estão distraídos, ao que se levanta de repente para esmurrar o colega, aos que não passam os apontamentos escritos no quadro, ao que, de repente, resolve sair da sala de aula. Não sabe o trabalho que dá disciplinar uma turma. E o professor tem várias turmas.


O senhor jornalista não sabe (embora a ministra deva saber) o enorme trabalho burocrático que recai sobre os professores, a acrescer à planificação e preparação das aulas. O senhor jornalista não sabe (embora devesse saber) o que é ensinar obedecendo a programas baseados em doutrinas pedagógicas pimba, que têm como denominador comum o ódio visceral à História ou à Literatura, às Ciências ou à Filosofia, que substituíram conteúdos por competências, que transformaram a escola em lugar de recreio, tudo certificado por um Ministério em que impera a ignorância e a incompetência.


O senhor jornalista falta à verdade quando alude ao «flagelo do absentismo dos professores, sem paralelo em nenhum outro sector de actividade, público ou privado». Tal falsidade já foi desmentida com números e por mais de uma vez. Além do que, em nenhuma outra profissão, um simples atraso de 10 minutos significa uma falta imediata. O senhor jornalista não sabe (embora a ministra tenha obrigação de saber) o que é chegar a uma turma que se não conhece, para substituir uma professora que está a ser operada e ouvir os alunos gritarem contra aquela «filha da puta» que, segundo eles, pouco ou nada veio acrescentar ao trabalho pedagógico que vinha a ser desenvolvido.


O senhor jornalista não imagina o que é leccionar turmas em que um aluno tem fome, outro é portador de hepatite, um terceiro chega tarde porque a mãe não o acordou (embora receba o rendimento mínimo nacional para pôr o filho a pé e colocá-lo na escola), um quarto é portador de uma arma branca com que está a ameaçar os colegas. Não imagina (ou não quer imaginar) o que é leccionar quando a miséria cresce nas famílias, pois «em casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão». O senhor jornalista não tem sequer a sensibilidade para se por no lugar dos professores e professoras insultados e até agredidos, em resultado de um clima de indisciplina que cresceu com as aulas de substituição, nos moldes em que estão a ser concretizadas. O senhor jornalista não percebe a sensação que se tem em perder tempo, fazendo uma coisa que pedagogicamente não serve para nada, a não ser para fazer crescer a indisciplina, para cansar e dificultar cada vez mais o estudo sério do professor. Quando, no caso da signatária, até podia continuar a ocupar esse tempo com a investigação em áreas e temas que interessam ao país.


O senhor jornalista recria um novo conceito de justiça. Não castiga o delinquente, mas faz o justo pagar pelo pecador, neste caso o geral dos professores penalizados pela falta dum colega. Aliás, o senhor jornalista insulta os professores, todos os professores, uma casta corporativa com privilégios que ninguém conhece e que não quer trabalhar, fazendo as tais aulas de substituição.


O senhor jornalista insulta, ainda, todos os médicos acusando-os de passar atestados, em regra falsos. E tal como o Ministério, num estranho regresso ao passado, o senhor jornalista passa por cima da lei, neste caso o antigo Estatuto da Carreira Docente, que mandava pagar as aulas de substituição.


Aparentemente, o propósito do jornalista Miguel Sousa Tavares não era discutir com seriedade. Era sim (do alto da sua arrogância e prosápia) provocar os professores, os médicos e até os juízes, três castas corporativas. Tudo com o propósito de levar a água ao moinho da política neoliberal do governo, neste caso do Ministério da Educação.

D.C.M,


professora, doutora em História Moderna e Contemporânea».

publicado por negra às 15:54
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Um manguito para ti, ó Bordalo

 

Muitas têm sido as crónicas, artigos e colunas de opinião sobre o protesto dos professores contra as recentes investidas do Governo. Umas quase certas, outras erradas, outras ofensivas, outras ocas, outras pertinentes e outras para rir. É o caso desta! Eis a opinião de Gonçalo Bordalo Pinheiro, na última revista SÁBADO, à qual responderei de seguida:

bordalo.jpg


Exmo. Sr. Bordalo
Confesso que o seu apontamento de opinião me causou um ataque de riso como há muito não tinha, pois, afinal, isto não está nada para rir!
Bom, mas o meu amigo tem muito jeito para graxista de cágado; isso nota-se no jogo de palavras que experimenta, para persuadir os leigos leitores, e estes acharem que o senhor é um bom colunista. Aliás, eu até já inventei um partido novo para militantes como o senhor que proliferam, qual bazar chinês, pagos para opinaram sobre o que ignoram; chama-se PCP (Partido Colunista Português).
E o senhor ignora porquê?
Diz que a autoridade não se decreta (bonito!), conquista-se (lindo!), com coerência, determinação e competência (palmas!). Diga-me uma coisa: a quantas pessoas é que o senhor, com coerência, determinação e competência, tem de conquistar autoridade por dia? A 70, 80?… Ou se calhar só ao seu cão? O senhor já esteve numa sala de aula? O senhor tem uma poção mágica que me arranje para conquistar autoridade a um aluno mal intencionado que, seguro que o sistema apenas o protege e facilita, boicota e inquina todo o processo ensino/aprendizagem, a não ser por vias de facto?

Sr. Bordalo, está enganado. Em alunos decentes, com princípios adquiridos onde se devem adquirir e com um pingo de educação, a autoridade não se conquista; a autoridade reconhece-se!

Prossegue V. Exa a sua brilhante coluna dizendo que os professores têm de dar exemplos e não é com piqueniques anárquicos (esta foi a parte em que o meu riso atingiu o orgasmo) que eles se dão. Piqueniques anárquicos? Hã? Ó senhor Bordalo, deixe cá ver… Deve ser um piquenique em que um rouba o pão ao outro, alguém atira um pedaço de toucinho ao ar e 50 professores esganam-se até à morte para apanhá-lo… Será?

Por amor de Deus, senhor Bordalo!

Para si, 100 000 professores tinham de chegar ao Marquês, telefonar à mamã a pedir autorização para se sentarem na relva, rezar, quiçá, uma oração, comer uma sopa sem sal ou uns flocos de cereais… Assim estaríamos a ser um exemplo, não?

Senhor Bordalo, vamos lá acordar!

Eram cem mil pessoas com, pelo menos, a mesma dignidade que a sua, a reivindicar por uma avaliação justa, coerente, objectiva e que não tenha a castração de carreiras como único objectivo, percebe? Não deite essa posta de pescada de que os professores não querem ser avaliados; essa é a moda dos surdos e obtusos, senhor Bordalo!

Numa democrática e ordeira manifestação de descontentamento, o senhor queria ouvir o quê? Viva a ministra!!! Palmas para Sócrates!!! Espezinhem-nos que a gente gosta!!! Roubem-nos que «tasse» bem!!! No seu entender isso é que não era ser brejeiro, vulgar e histérico, não era senhor Bordalo?

Na segunda feira, senhor Bordalo, sentei-me em frente aos meus alunos e, para seu azar, a primeira coisa que lhes disse foi justamente que a marcha da indignação foi um exemplo puro de democracia e liberdade e que seguissem aquele exemplo no futuro, como a mais correcta e racional forma de discordar dos políticos que lhes condicionarem negativamente a vida. E, ainda para maior azar seu, senhor Bordalo, foi das aulas em que me senti mais realizado, porque até eles entendem uma coisa que só alguns colunistas e outras mentes contaminadas não entendem.

Termina V. Exa. a sua prosa com mais um atentado à razoabilidade! Então o senhor culpa os professores pelos chumbos, repetências e reprovações? Ó senhor Bordalo, sabe quem é que faz chumbar, repetir e reprovar? Sabe? São os professores, senhor Bordalo! Portanto, o senhor acha que existe em Portugal uma nova confraria de 150 000 pessoas; a confraria do masoquismo! Na minha terra, senhor Bordalo, os chumbos, para além da pesca e da pressão de ar, são consequências dos maus alunos e não dos maus professores. Por este exemplo se percebe o pantanal que vai na sua cabeça a este respeito.

Era tão fácil! Vamos lá passar os alunos todos para o senhor Bordalo dizer que os professores são bons. Bem, assim pensam os legisladores, já que não me espanta, na senda do sucedido, que daqui a nada saia uma lei a proibir reter alunos incondicionalmente. Digamos que será o nirvana! Portugal passará a ser um exemplo de sucesso! Os finlandeses emigrarão para cá! O Ministério condecorará todos os professores! A CONFAP rejubilará! Os colunistas passam a falar do que sabem!…

Pena é que nessa altura os professores serão, de facto, umas verdadeiras bestas aberrantes!

Paulo Carvalho
Publicada por Movimento dos Professores Revoltados
publicado por negra às 15:38
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Segunda-feira, 10 de Março de 2008

100 mil

Viste nas notícias os 100 000 professores que invadiram Lisboa em protesto? Viste aquela manifestação que mais se assemelhou a um 25 de Abril dos docentes?
Eu vi, a minha mãe estava por lá, era uma das 100 000 vozes.
E todos se emocionaram, e gritaram, professores ou não, pessoas que passavam, pessoas talvez nem fazendo ideia pelo que gritavam. Talvez como no tal 25 de Abril.
Como um grito se torna colectivo, quando umas centenas se unem! E como as centenas se transformam em milhares, e como se poderiam transformar em milhões...
Porque todos temos algo pelo que gritar. Há um desejo de liberdade que se manifesta em palavras de ordem. Que podem mesmo não nos pertencer... Há algo de primitivo num brado conjunto. E porquê?
Porque estamos presos. Não sentes isso?
Um formigueiro na garganta, uma dor anunciada nas pontas dos dedos, um arrepio. Um desejo primordial. LIBERDADE.
Cortar amarras. Romper barreiras sociais. Destruir injustiças.
Parece tão utópico, pressente-se tanta hesitação, mesmo quando as palavras são gritadas.
Porque continuamos a achar que uma dúzia de pessoas têm mais força que um milhão? Porque continuamos a dizer que não há luta possível contra a mentira?
Queremos mentir, também?
Não. Queremos verdade.
E gritamo-la. E quando gritamos juntos, acreditamos mais? Não, apenas sentimos menos medo... Porque a verdade não precisa que acreditem nela. Precisa, talvez, que lutem por ela.
O que pensas tu que é a justiça? Onde a encontras? Como a fazes?
Dar as mãos, gritar, lutar, unir.
Unirmo-nos.
Deixar de dizer que há quem possa mais que nós. Não há, se nós formos muitos e quisermos apenas JUSTIÇA...
 
 Ana Brás
publicado por negra às 03:09
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Quinta-feira, 6 de Março de 2008

Ainda sobre Guantanamo

Sinto o mesmo nojo, a infinita raiva e a vergonha são as mesmas que tu viveste.

Guantanamo não é apenas uma notícia, uma verdade revelada.

Guantanamo é a prova da falácia americana no papel de polícias do mundo.

Guantanamo destrói a imagem da América como  Paladino da Justiça, da Democracia, da Cidadania e dos Direitos Humanos...

Guantanamo expõe a nova (e verdadeira) face dos EUA que, frente a tal evidência, não pode continuar a se autoproclamar "O Defensor da Liberdade" - a Estátua da Liberdade passou a ser um símbolo de um ideal traído.

Guantanamo é o retrato da ardilosa administração Bush (o tal sujeito que priva directamente com Deus), sempre tão empenhada em ser o garante da defesa do mundo civilizado (os americanos e os seus subservientes amigos) face à terrível ameaça vinda do terceiro mundo hostil, ou potencialmente hostil, a partir do momento em que questionam a imposição dos valores americanos e ocidentais.

Guantanamo faz com que George Washington e Thomas Jefferson tapem a cara nas suas tumbas e corem de vergonha...

Guantanamo é um factor indicativo de uma nova ordem que se avizinha: não há mais valores sagrados, sustentáculos intocáveis ou paradigmas incontestáveis. Avizinha-se a barbárie e o império das conveniências imediatas. A Justiça dependerá agora de meros pontos de vista, pois a Lei, a Constituição, a Convenção de Genebra, tudo é, como comentou laconicamente Bush, «muito vago!».

E nós? Nós deixamos!

 

Dacosta

publicado por negra às 19:14
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Nunca te sentiste infinitamente sozinho?

Nunca te sentiste infinitamente sozinho?
Uma estrela isolada a milhões de quilómetros de tantas outras...
Começo a pensar em coisas em que nunca pensei tão profundamente antes. Quando o mundo parece mostrar-se à luz de uma verdade qualquer, quando um sentido parece querer atribuir-se-lhe mesmo à frente dos teus olhos... e, de repente, esse mesmo mundo, enorme, grotesco, avassalador, de números gigantescamente finitos, ensombra-te a luz, escurece-te a verdade!
Passo uma fase em que procuro crenças, que se escondem em evidências.
Mas eu agora procuro e encontro evidências que nada escondem. Nuas, cruéis. E como as há, e tantas!
Conheces estas evidências?
Apercebeste-te já das injustiças?
E como me dói saber que sou uma das que as perpetuam!
E sinto-me devastada por uma imensidão que não me pertence. E não consigo encontrar um começo. Aquilo a que me posso agarrar, e dizer: Agora vou fazer isto, e depois disto sei que há muito mais que fazer, e nunca hei-de duvidar, de fraquejar, de esquecer o motivo primeiro! Não é possível, pois não?
 
 
 
Vês aquelas colinas, vês?
Mandei-as erguer para que
Não possas ver nada além delas.
Assim, podes apenas imaginar,
E vais querer transpô-las
Com todo o teu ser.
Assim, ficas sem saber que
Lá não há nada mais do que aqui,
E podes acreditar, e acreditar.
Vês? Não são colinas que te prendem,
São só para te fazer feliz…
Ana Brás
publicado por negra às 19:12
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A Propósito de Guantanamo

 Podem falar-vos de morte
Podem mostrar-vos os mortos.
Mortos, indignamente mortos
Torturados e executados,
Enforcados, devorados,
Podem contar-vos o sangue que
Escorre em paredes de tirania,
Podeis até ouvir gritos,
Gemidos de dor e de revolta,
Podeis até ver contorcidos
Corpos dilacerados, quebrados,
Podeis ouvir mãos traidoras
Vozes cruéis, homens pútridos de poder,
Podeis ouvir injúrias,
Cães que ladram do alto,
Podeis ser levados
A apertar almas em arrancos últimos.
Porque deixais.
 
Vós fingis que não há nada.
Mas eles morrem.
Eles gritam. Eles sofrem.
Eles matam, eles violam,
Mutilam, sufocam,
Prendem, mandam,
Ferem, ladram, roncam.
Porque deixais.
 
Tão longe de ti,
Como dizes,
Corrompem as manhãs,
Mancham as tardes,
Silenciam as noites,
Apagam as luzes,
Fecham-te os olhos,
Agarram-te a vontade.
Porque tu deixaste.
 
São tuas as mãos deles.
Teus os pés deles.
 
Nossos os olhos deles,
Nossas as bocas deles,
Nossa toda a imundície.
Porque deixamos.
 
Já nada ouvimos, já nada vemos.
Empilham-se as almas
Vendidas ao diabo maior.
 
Esfregam-te vísceras quentes no rosto,
Brandem-te ideias mortas aos ouvidos,
Sussurram-te mentiras pérfidas,
Acariciam-te o ego sujo.
E tu deixas. TU DEIXAS.
Ana Brás
publicado por negra às 19:06
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