.Tâmega em Perigo

Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008

temos MEDO

Temos MEDO. E somos escravos do medo. Por gosto.
Para quê ganhar quando queremos ganhar, se podemos ganhar, simplesmente, tendo medo de perder?
Coragem? Admiramos quem é corajoso. Não admiramos a simples ausência de medo. Porque quem não tem medo, dizem, é LOUCO.
O medo pode ser instinto de sobrevivência. Pode ser consciência de perigo.
Mas também há o medo INCONSCIENTE e cego. Que invade e tolhe a alma, que lhe suga toda a vontade, toda a paixão, todo o arbítrio e toda a HONESTIDADE.
Tens medo de quê?
De todos os que te rodeiam? Das autoridades? Dos chefes? Das instituições indefinidas que em nada te dizem respeito? Tens medo de mim? De ti?
Porque vês esses ditadores e essas censuras em todo o lado, e para onde quer que te vires estás à espera de autorização prévia para tudo o que dizes, fazes, pensas ou sentes? Onde estão as tuas amarras?
Porque sentes tanto medo de assumir a capacidade de pensar e de agir?
Tens medo até de querer! De querer tudo quanto poderias querer, de sonhar tudo quanto poderias sonhar, de PENSAR tudo quanto poderias pensar…
Preferes negar a tua alma, preferes ter ideias, mas ser ainda assim uma MENTIRA de ti próprio reinventada nos outros e no medo que tens deles…
Preferes morrer sem ter desafiado uma lei injusta ou um conceito instituído, a teres sido TU E AS TUAS IDEIAS em tudo quanto És e fazes?
Imagina que o medo de não ter poder sobre si próprio fugia de quem governa. Imagina que o medo de se tornar vulnerável fugia de quem faz guerra. Imagina que o medo de ficar sozinho fugia de quem abusa e maltrata.
Imagina que o medo de abrir os olhos e viver te escapava.
Imagina. Esquece o medo.
E pára de mentir.
Ana Brás
publicado por negra às 19:29
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6 comentários:
De ... a 12 de Fevereiro de 2008 às 00:57
Se não existisse medo tornávamo-nos incrivelmente estúpidos... Sinceros, honestos e directos que chegue também, lá isso é verdade. Mas quanto tempo duraria a raça humana? Imagina um homem das cavernas sem medo do fogo que se queimava, e um que não sabia nadar e se afogava. Era uma exterminação logo no inicio provocada pela falta de medo. Desafias-nos a não ter medo e a parar de mentir. Pois deixa-me dizer-te que ele existe até na própria natureza que foi criando as suas defesas pelo medo de não sobreviver. É um instinto. Não podes pedir que desapareça. Quanto muito podes pedir que diminua o efeito que tem em nós. Mas, sem querer parecer cínico, há riscos grandes a tomar e as probabilidades são maiores para o lado dos que "morrem satisfeitos" a tentar do que para o lado dos que sucedem. E no entanto, os que sucedem ganham mais medo pelo que conseguiram do já tinham as pessoas que não chegaram a arriscar.


De Ana Brás a 12 de Fevereiro de 2008 às 18:28
Acho que é bastante óbvio que não me referia ao medo de feras ou do fogo ou do que quer que seja que leva à morte por estupidez.
Mas tudo bem. Se é o medo que faz evoluir a Humanidade, bom para ele.
Cada um interpreta os seus medos como quiser.
E não sei se te apercebeste.
"O medo pode ser instinto de sobrevivência. Pode ser consciência de perigo.
Mas também há o medo INCONSCIENTE e cego."
Lê com mais atenção e depois fala.


De Ana B. a 12 de Fevereiro de 2008 às 18:40
...ao medo de feras ou do fogo, ou do que quer que seja, cuja falta leva...


De ... a 15 de Fevereiro de 2008 às 00:57
Tens razão ao dizeres que devia ter lido com mais atenção. Reconheço que quando escrevi o comentário não me lembrei da tua referência a dois tipos de medos diferentes. Mas perdes a razão ao usares a ironia... Eu não disse que era o medo que fazia evoluir a humanidade, apenas que a impede de desaparecer. Para evoluir é preciso perder o outro tipo de medo de que falas no texto. Nesse aspecto concordo contigo senão ninguém faria nada. Não reparei na divisão que fizeste, caso contrário não tinha comentado assim. O meu comentário foi em relação ao medo em geral, e peço desde já desculpa pela sua falta de oportunidade .
Mas se pela tua filosofia "cada um interpreta os seus medos como quiser" então não há por que discutir ou se quer comentar algum texto. Cada um que faça a sua interpretação e está "tudo bem", nada de construtivismo . "Bom para ele."
Acho que são coisas destas que fazem com que as pessoas fiquem com medo de tomar atitudes... A má receptividade a uma crítica construtiva. Eu não tentei deitar o texto abaixo, apenas mostrar outra perspectiva (que não precisava de ser mostrada, é certo. Eu sei e já falei disso...).

Já agora deixo aqui o comentário que faria depois de ter lido o texto em condições:
Se o medo existe, e isso está mais do que provado, é porque existe alguém (outra pessoa ou até mesmo nós próprios) que não concorda com a mensagem que se pretende transmitir e daí surge o receio de consequências que podem não nos ser favoráveis. Ultrapassar o medo que cada um inflige a si é muito difícil mesmo, e se ainda por cima a receptividade dos outros for sempre má por mais que nos esforcemos, então a reacção natural é atolar em medo. As oportunidades existem por alguma coisa. E quando somos pequenos e não temos tanta noção do perigo, nós conseguimos ser verdadeiramente nós. Cada vez que nos diziam "isso não se faz", "vais ficar de castigo" ou quando caíamos e nos aleijávamos , deixávamos nesse instante de ser menos um bocadinho de nós próprios e de arriscar dizer e fazer certas coisas. O medo é-nos ensinado. E a receptividade é essencial para nos livrar-mos dele.


De Anónimo a 15 de Fevereiro de 2008 às 19:06
Compreendo que fui agressiva na forma como respondi, e que quase não quis deixar espaço para a discussão. Se o fiz, foi por não ter gostado de ler um comentário de alguém que não tinha compreendido minimimamente o que eu tentei dizer, se calhar por falta de cuidado na leitura e na apreciação que fez.
Por isso peço desculpa, e agradeço a resposta.
Defendi uma perspectiva, e tentei ser o mais clara possível. Não percebi o carácter construtivo da crítica feita, talvez por essa crítica não se adequar ao que estava a ser criticado.
O texto parte da minha experiência, e de observações que faço. E de um idealismo. Eu não sou destituída dos ditos medos que a mim própria imponho. E nunca desejei gerar em ninguém medo de qualquer atitude que seja.
Mas não há nada como aprender e evoluir.


De Ana Brás a 15 de Fevereiro de 2008 às 19:07
E esqueci-me de assinar...


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