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Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Um manguito para ti, ó Bordalo

 

Muitas têm sido as crónicas, artigos e colunas de opinião sobre o protesto dos professores contra as recentes investidas do Governo. Umas quase certas, outras erradas, outras ofensivas, outras ocas, outras pertinentes e outras para rir. É o caso desta! Eis a opinião de Gonçalo Bordalo Pinheiro, na última revista SÁBADO, à qual responderei de seguida:

bordalo.jpg


Exmo. Sr. Bordalo
Confesso que o seu apontamento de opinião me causou um ataque de riso como há muito não tinha, pois, afinal, isto não está nada para rir!
Bom, mas o meu amigo tem muito jeito para graxista de cágado; isso nota-se no jogo de palavras que experimenta, para persuadir os leigos leitores, e estes acharem que o senhor é um bom colunista. Aliás, eu até já inventei um partido novo para militantes como o senhor que proliferam, qual bazar chinês, pagos para opinaram sobre o que ignoram; chama-se PCP (Partido Colunista Português).
E o senhor ignora porquê?
Diz que a autoridade não se decreta (bonito!), conquista-se (lindo!), com coerência, determinação e competência (palmas!). Diga-me uma coisa: a quantas pessoas é que o senhor, com coerência, determinação e competência, tem de conquistar autoridade por dia? A 70, 80?… Ou se calhar só ao seu cão? O senhor já esteve numa sala de aula? O senhor tem uma poção mágica que me arranje para conquistar autoridade a um aluno mal intencionado que, seguro que o sistema apenas o protege e facilita, boicota e inquina todo o processo ensino/aprendizagem, a não ser por vias de facto?

Sr. Bordalo, está enganado. Em alunos decentes, com princípios adquiridos onde se devem adquirir e com um pingo de educação, a autoridade não se conquista; a autoridade reconhece-se!

Prossegue V. Exa a sua brilhante coluna dizendo que os professores têm de dar exemplos e não é com piqueniques anárquicos (esta foi a parte em que o meu riso atingiu o orgasmo) que eles se dão. Piqueniques anárquicos? Hã? Ó senhor Bordalo, deixe cá ver… Deve ser um piquenique em que um rouba o pão ao outro, alguém atira um pedaço de toucinho ao ar e 50 professores esganam-se até à morte para apanhá-lo… Será?

Por amor de Deus, senhor Bordalo!

Para si, 100 000 professores tinham de chegar ao Marquês, telefonar à mamã a pedir autorização para se sentarem na relva, rezar, quiçá, uma oração, comer uma sopa sem sal ou uns flocos de cereais… Assim estaríamos a ser um exemplo, não?

Senhor Bordalo, vamos lá acordar!

Eram cem mil pessoas com, pelo menos, a mesma dignidade que a sua, a reivindicar por uma avaliação justa, coerente, objectiva e que não tenha a castração de carreiras como único objectivo, percebe? Não deite essa posta de pescada de que os professores não querem ser avaliados; essa é a moda dos surdos e obtusos, senhor Bordalo!

Numa democrática e ordeira manifestação de descontentamento, o senhor queria ouvir o quê? Viva a ministra!!! Palmas para Sócrates!!! Espezinhem-nos que a gente gosta!!! Roubem-nos que «tasse» bem!!! No seu entender isso é que não era ser brejeiro, vulgar e histérico, não era senhor Bordalo?

Na segunda feira, senhor Bordalo, sentei-me em frente aos meus alunos e, para seu azar, a primeira coisa que lhes disse foi justamente que a marcha da indignação foi um exemplo puro de democracia e liberdade e que seguissem aquele exemplo no futuro, como a mais correcta e racional forma de discordar dos políticos que lhes condicionarem negativamente a vida. E, ainda para maior azar seu, senhor Bordalo, foi das aulas em que me senti mais realizado, porque até eles entendem uma coisa que só alguns colunistas e outras mentes contaminadas não entendem.

Termina V. Exa. a sua prosa com mais um atentado à razoabilidade! Então o senhor culpa os professores pelos chumbos, repetências e reprovações? Ó senhor Bordalo, sabe quem é que faz chumbar, repetir e reprovar? Sabe? São os professores, senhor Bordalo! Portanto, o senhor acha que existe em Portugal uma nova confraria de 150 000 pessoas; a confraria do masoquismo! Na minha terra, senhor Bordalo, os chumbos, para além da pesca e da pressão de ar, são consequências dos maus alunos e não dos maus professores. Por este exemplo se percebe o pantanal que vai na sua cabeça a este respeito.

Era tão fácil! Vamos lá passar os alunos todos para o senhor Bordalo dizer que os professores são bons. Bem, assim pensam os legisladores, já que não me espanta, na senda do sucedido, que daqui a nada saia uma lei a proibir reter alunos incondicionalmente. Digamos que será o nirvana! Portugal passará a ser um exemplo de sucesso! Os finlandeses emigrarão para cá! O Ministério condecorará todos os professores! A CONFAP rejubilará! Os colunistas passam a falar do que sabem!…

Pena é que nessa altura os professores serão, de facto, umas verdadeiras bestas aberrantes!

Paulo Carvalho
Publicada por Movimento dos Professores Revoltados
publicado por negra às 15:38
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