.Tâmega em Perigo

Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

Talvez tarde…

Talvez tarde. Mas só hoje pensei nisto. Eu sempre me achei diferente, eu estava certa e os outros errados. Claro que sou diferente. Somos todos. Mas eu pensava que era feita de um bom pano e afinal não passa de um forro barato. Olhei de novo para mim e vi que tinha muitas engelhas. Parece irreal. Nunca tinha reparado. Quando olhava parecia suave e liso como seda. Eu não gosto de ser passada a ferro e isso explica muita coisa. Mas hoje… hoje, sem dar conta, enfiei-me na tábua de engomar e, não tardou,  já sentia o vapor do ferro. Mas, como sempre… fugi. E agora que sinto o vento ondular o tecido e o sol a bater em mim, não posso ignorar as nódoas que estão por toda a parte. Nódoas de arrogância, antipatia, egoísmo, frieza, tantas outras. Nunca quis reparar. Eu estou cosida a ti que és feita de seda, tecido suave, limpo, brilhante, discreto, simples. Mas a linha que nos une ainda não tinha acabado de coser e já estava a rebentar. Tive medo. Parei. Hoje picaram-me. Eu sentia que me estavam a picar. E quando olhei eram duas agulhas, prontas para remendar o que estava mal. Mas, a dor incomodou-me… e eu fugi de novo. Reparei que fugia com as pernas que a cobardia me emprestou. Cansada, sentei-me. Para grandes males, grandes remédios. Procurei opções. Tinha duas: uma lavagem à mão, com sabão caseiro; uma lavagem automática. Esmagada, andava às voltas e voltas, e girava, caía tudo em cima de mim, já não aguentava mais, comecei a sufocar, a ficar sem ar, veio a água, pensei que morria. Parou. A porta abriu. Saio limpa. Começo de novo. Mas não. Não quero, nem preciso de “bater com a cabeça na parede” para ver que ela está lá.
Eu tenho outra opção - lavar-me sozinha. Não tenho sabão, mas sei que mo emprestam, se o souber pedir. A poça de água que tenho não é suficiente, mas sei que me ajudam a encontrar um rio, se souber pedir. A única coisa que tenho, que vou sempre ter… é a cor do forro. Posso clareá-la, manchá-la, escurecê-la… não mudará. A beleza e o brilho que tenho no meu forro… são vocês que lho dão.
Ovelha Perdida
publicado por negra às 23:18
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