.Tâmega em Perigo

Quinta-feira, 9 de Outubro de 2008

BARRAGEM? NÃO, OBRIGADO!

RECOLHA DE ASSINATURAS

 

No próximo Sábado, dia 11 de Outubro, o movimento cívico de oposição à construção da barragem de Fridão vai estar em S. Gonçalo, com o intuito de fazer uma recolha de assinaturas. Entre as 8 e as12 horas, será possível deixar a sua assinatura numa petição a entregar na Assembleia da República.

Se não puder estar presente, assine a petição on-line.

poramarantesembarragens.blogspot.com/

 

 Para: Assembleia da Repúlica

Sr Presidente da Assembleia da República.
Excelência

Considerando...
a forma cega e imponderada como o Programa Nacional de Barragens de Elevado Potencial, equacionou a barragem de Fridão, a cerca de 6 quilómetros (o mais próximo dos 5 empreendimentos hidroeléctricos a erigir a montante da cidade, englobados na designada cascata do Tâmega), já que os factores sopesados comparativamente a outras soluções, foram, fria e notoriamente, focalizados na área a inundar, como se o seu impacto, directo, e incontornável, sobre a cidade de Amarante, fosse desprezível.

Considerando ...que o programa minimiza ou escamoteia, que a barragem programada para Fridão, virá a repercutir-se-á de forma irreversível e devastadora na cidade de Amarante, a nível das condições de vida, da qualidade da água para consumo, do regime e amplitude das cheias e sua incidência na segurança dos residentes, da completa destruição do revestimento vegetal das margens e ínsua dos frades, das praias fluviais, dos percursos pedonais beira-rio, da descaracterização radical da paisagem, com a irreversível rotura do diálogo harmónico da moldura ambiental com o conjunto monumental e histórico da ponte e Igreja de S. Gonçalo - uma trilogia âncora de uma economia exclusivamente virada para o turismo - como se tudo isso fosse tara sem valor e de somenos importância.

Sem negar a relevância conjuntural dos recursos endógenos e das energias renováveis em toda a sua momentosa importância perante as questões ambientais, a incomportável factura energética e a nossa dependência dos combustíveis fósseis, esta insofismável realidade, não pode, nem deve, ainda assim, ser arvorada como um rolo compressor que leve de roldão, valores irresgatáveis e de uma hierarquia relativa sem precedentes, que não foram compaginados, por quem deliberadamente se virou de costas para os amarantinos,

Os cidadãos abaixo assinados, vêm solicitar a V. Ex.ª Sr. Presidente da Assembleia da República, que o sofisma em que assenta o estudo comparativo que destacou a barragem de Fridão entre 25 outras hipóteses consideradas, seja debatido na Assembleia de República por forma a remeter ao Governo um pedido da reformulação do Programa, de molde a integrar o peso relativo destes aspectos decisivos que foram minimizados, e deliberadamente preteridos, como tudo o que se insere a jusante da barragem e sobre a nossa cidade que foi pura e simplesmente eclipsada na ponderação relativa dos factores equacionados no conjunto das das 25 hipóteses ponderadas no Programa Nacional de barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico.

 

 

 

 


 

 

 

ENCONTRO DE JOVENS

 

A partir das 14 horas, haverá um encontro de jovens em S. Gonçalo, com o intuito de serem criados núcleos de um amplo movimento de sensibilização dos amarantinos para as graves consequências inerentes à construção da barragem de Fridão, de modo a envolvê-los numa manifestação de força que se oponha à decisão irresponsável do governo de patrocinar a construção das novas barragens no rio Tâmega.

 

Pelo Tâmega,

pelo Olo,

por Amarante,

por TI...

APARECE!

 

Não podemos permitir que, num futuro próximo, o encanto e a beleza da paisagem natural do rio Tâmega só possam ser contemplados na poesia, como é exemplo esta maravilhosa composição do amarantino Teixeira de Pascoaes.

 

A SOMBRA DO TÂMEGA

 

Minha santa janela, onde eu medito
E digo adeus ao sol e falo ao vento…
E saúdo a aurora e leio no Infinito
E sinto, às vezes, um deslumbramento!

Vejo, de ti, a Serra e aquele val’,
Onde aparece a imagem indecisa
Dum rio de águas mortas, espectral,
Que, entre sombrias árvores, desliza.

E vejo erguer-se o rio cristalino,
Transfigurado em sonho ou nevoeiro…
E faz-se eterno espírito divino
Aquele corpo de água prisioneiro.

Ó láctea emanação! Ó névoa densa!
Ó água aberta em asa! Ó água escura!
Água dos fundos pegos, no ar, suspensa,
Vestida, como um Anjo, de brancura!

Água gélida e negra, que te elevas,
Qual fantasma, no Azul, que desfalece!
Ó claro e heróico sol, que vence as trevas,
Porque será que, ao ver-te, empalidece?

Ó água d’além túmulo! Água morta!
Ó água do Outro Mundo! Aparições
De neblina, entre as trevas… Absorta
Paisagem povoada de visões…

E enchendo todo o espaço de esplendores,
De desmaios, de síncopes e mágoas,
Diluindo tudo em místicos alvores,
Ergue-se a sombra lívida das águas…

Quantas vezes, de ti, boa janela,
Eu lhe falo e a interrogo… E, com certeza,
A tua sombra, ó água, é irmã daquela
Que anda em meu coração, e é só tristeza…

Ei-la a pairar na humana solidão
Infinita da noite, quando as cousas
São quimérica e estranha emanação
De silêncios e névoas misteriosas…

Ei-la que paira, ouvindo a voz da lua,
E a voz louca do vento e as ansiedades
Das sombras, que, na terra branca e nua,
Parecem desenhar profundidades…

Ei-la a pairar nas trevas que em nós deixam.
Nas almas e nas pedras da lareira,
Os olhos lacrimosos que se fecham
E dão, em vez de luz, cinza e poeira…

Bem mais do que neste ar, que se respira,
Pairas na minha alma… E com teus dedos
De penumbra, arrebatas minha lira,
Ó Tâmega de sonhos e segredos!

E vais compondo versos de neblina
às árvores do monte, à dura frágua…
Elegias de orvalho à luz divina,
Endeixas de remanso e cantos de água…

E sobes, a voar… E, num sombrio
Gesto de asa, percorres as Alturas!
E molhas minha fronte, aéreo rio;
E, através dela, sonhas e murmuras…

Ó bendita janela, entre aas janelas,
Onde fala comigo a luz do luar,
E a claridade viva das estrelas
Que traz, e sangue, os pés de tanto andar!

Bendita sejas tu, ó sempre aberta
Sobre o meu coração e estes outeiros,
E esta noite fantástica e coberta
De espectros, de visões e nevoeiros!

 

Teixeira de Pascoaes

 

 

publicado por negra às 23:26
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1 comentário:
De dependenciaenergetica a 9 de Novembro de 2009 às 09:45
Antes de mais, apreciar o blog não só pela quantidade mas tamém pela qualidade de informação.
Somos um grupo de jovens do 12ano que estudam no externato de vila mea e estamos em area de projecto a desenvolver um trabalho sobre a Dependencia Energética Portuguesa. Neste trabalho faremos um estudo-caso sobre a possivel barragem em Fridão. Gostariamos de integrar os grupos de jovens de que fala acima ou caso fosse possivel informações acerca de futuras manifestaçoes ou debates, entre outros... cujo tema principal seja a Barragem em Fridão. Obrigada Esperamos resposta...


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