Sexta-feira, 4 de Julho de 2008

Irrita-me…

Irrita-me que a liberdade seja algo classificado como «sonho» na vida de um adolescente.

Qual é a explicação lógica para que seja tão tardia a sua conquista?
Muitas vezes ouvimos dizer que a liberdade só o é na sua essência, quando acompanhada de responsabilidade. Certo, não discordo, mas… se temos a responsabilidade de ir às aulas, a responsabilidade de fazer lidas domésticas, a responsabilidade de estudar, a responsabilidade até de gerir algum dinheiro, que exequível razão há para que esta mesma responsabilidade, fazendo o caminho inverso, não acarrete consigo a liberdade?
Irrita-me que, quando nascemos, a zona do cérebro dos pais responsável pela visão bloqueie. Eles vêem a nossa imagem, nascemos como seres indefesos incapazes de produzir qualquer tipo de coisa, exceptuando choro e fraldas sujas, e essa imagem não evolui. Eles mudam o penteado, mudam a mobília, trocam de carro, passamos da Monarquia à Republica, mas a nossa imagem mantém-se. Estaremos errados? Numa análise mais minuciosa conseguimos descobrir que eles vêem que temos capacidade para trabalhar, para estudar… Boa! Descobrimos que o cérebro que estava bloqueado até se desenvolveu! Ups! Desenvolveu-se do lado errado. Porque é que cresceu do lado que lhes convém e o lado que nos é útil se manteve intocável? Resposta simples: eles mandam, eles fazem as regras do mundo, mas depois têm a distinta petulância de afirmarem solenemente que até nos ouvem, porque o diálogo é a base da família, a petulância de dizerem que até fazem tudo por nós, até nos compreendem e a pior, esta irrita-me a sério, “quando fores mais velho, vais perceber.”. Isto sim, irrita-me, mas profundamente. Não me interessa se daqui a um dia, daqui a uma semana, daqui a um mês, daqui a um ano, daqui a uma década ou daqui a um século vou entender o porquê. O que interessa é que no presente não entendo e não entender ainda me deixa mais irritada, enfim…
Mas, há mais. Outra desculpa espantosa que a mim me levanta os cabelos é o facto de darem exemplos de casos de insucesso. “Tás a ver? Viste o que aconteceu? É aquilo que eu quero prevenir.”. Irrita-me, porque não ouvimos nós, todos os dias, notícias de acidentes rodoviários? É melhor deixarmos de andar de carro. Não é frequente ouvirmos notícias de pessoas electrocutadas? É recomendável erradicar a electricidade. E muitos mais exemplos se poderiam dar de casos em que a compensação é maior que o risco. E não podemos prevenir todos os riscos pois todos os dias eles se atravessam no nosso caminho. Mas esta desculpa dos casos de insucesso leva-nos a reformular o conceito de liberdade. Percebem, então, que a liberdade só existe quando acompanhada de responsabilidade. E quando não existem casos de insucesso, está tudo arruinado. Nunca, numa sociedade, irá haver 100% de sucesso e uma percentagem nula de tragédias.
Por isso, jovens, meus caros companheiros, da mesma maneira que introduzi o texto, assim o concluo: a liberdade é um sonho e irá sempre sê-lo para nós, os adolescentes. Pode ser que um dia possamos estar em lugares de poder e possamos mudar isto ou então teremos outros a escrever textos intitulados de irrita-me, mas, desta vez, quem os irrita somos nós.
 
por Sara
publicado por negra às 01:45
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Domingo, 13 de Abril de 2008

Irritam-me as Pessoas

Já repararam que o que mais irrita o ser humano é o próprio ser humano?
IRRITAM-ME as pessoas.
Irritam-me as pessoas que pensam que sabem tudo. Irritam-me as pessoas arrogantes, cínicas e que pensam exclusivamente em si. Irrita-me a ausência de personalidade dessas pessoas. Irritam-me aqueles que trabalham demasiado e aqueles que não trabalham nada. Aqueles que se fazem de vítimas por não terem coragem de lutar por algo que querem, e aqueles que vivem passivamente sem qualquer objectivo. Irritam-me aqueles que vivem a criticar os outros pela maneira de vestir ou por outra futilidade qualquer. Irritam-me os irresponsáveis e os que levam a vida demasiado a sério, os que reparam em tudo e os que não reparam em nada. Aqueles que lamentam a sua existência, sem se importar com o facto de haver pessoas em situações muito piores. Irritam-me aqueles que tentam impor a paz usando a guerra. As pessoas que vivem presas aos preconceitos, e as que se mutilam. As pessoas obcecadas em emagrecer ou em engordar, as que se preocupam com as aparências, as que EZcREvEm aZZimm e que têm o descaramento de assinar a petição contra o novo acordo ortográfico. As que são viciadas em marcas de roupa ou em perfumes. As que lamentam a pobreza sem nada fazerem para ajudar. Irrita-me também a maneira como toda a gente diz "Amo-te" para aqui e para ali, e ama-se os namorados de 2 dias, assim como se ama os objectos. Irritam-me os que “curtem” e os que “estão na boa”. Os que estão sempre a arranjar confusão e os que não sabem impor respeito. Os que criticam os gostos pessoais de alguém, os traidores, os falsos, os interesseiros e os anti-sociais. Os que se dizem góticos, emo’s, metaleiros, hippies, rastas baseando-se apenas no visual. Irritam-me os que vêem o Cristiano Ronaldo a jogar e dizem ter “amor à pátria”, mas nunca ouviram falar em D. Afonso Henriques. Irritam-me as pessoas que vêem o suicídio como a solução para os seus problemas, as que julgam as outras pessoas sem as conhecerem, e as que fazem birra se as coisas não são como elas querem. Irritam-me as pessoas que pensam que têm que odiar as namoradas/os das pessoas de quem gostam, e as que fazem tudo para arruinar a vida de alguém. Irritam-me os hackers, os pedófilos, os assassinos e os violadores. As pessoas que abusam da liberdade e as que não olham a meios para chegar onde querem. Irritam-me os adolescentes que se julgam adultos para fazerem o que lhes apetece e as pessoas que chamam “melhor amigo” a alguém quando não têm noção do que é a amizade e quando, no fundo, ninguém conhece ninguém. Irritam-me as pessoas que ficam à janela de casa para ver o que o vizinho faz, quem entra e quem sai.
      Mas mais do que tudo isto, irrito-me a mim própria por ter consciência de que sou uma dessas pessoas e, mesmo assim, escrevi este texto.
 
Marta
publicado por negra às 00:52
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